25 de novembro de 2012

Querida desilusão amorosa,


Sonhei com a gente essa noite. Não decidi escrever porque o fato é assim, tão extraordinário. Na verdade, já aconteceu vezes demais, desde a ultima vez que a gente se viu.
Não me incomodam, os sonhos. Acho que enfim superei. Não aperta mais o coração. Não traz nenhuma melancolia. Agora passa despercebido, no meio de tantas outras desilusões (amorosas ou não).
Sabe no que eu pensei? Você achava que sabia tudo sobre mim, mas há uma porção de coisas que faltou você descobrir.
Eu nunca te contei sobre minha paixão por pássaros. Você soube que eu amava livros, mas faltou eu te contar que um dos meus maiores sonhos era escrever o meu próprio. Faltou você ouvir da minha boca que sou mesmo, mandona, impaciente e teimosa.
Eu não te contei que frequentei aulas de violão por uns cinco meses e depois desisti porque as cordas machucavam meus dedos. Não te contei também, que sempre morri de vontade de fazer aula de boxe.
Faltou você ouvir minhas frustrações e meus medos. Sabia que eu morro de medo de lagartixa? Não, você não sabe. Assim como não sabe que o meu doce preferido é sorvete.
Eu nunca te contei sobre meu primeiro amor, nem sobre meu primeiro beijo.
Você soube do meu orgulho, mas acho que não deu tempo de você descobrir que eu sou egoísta.
Faltou eu te contar que amo altura, que tenho preguiça de arrumar a cama. Que só fiz um curso de Panificação porque minha mãe obrigou, e que eu não levava muito jeito pra cozinha.
Mas agora, bem, nada disso importa muito mais meu bem. Agora já passou.
Só porque você conseguia ler nos meus olhos quando eu estava padecendo de tristeza; só porque você me trazia o riso mais sincero; não significava que sabia tanto assim de mim.
Faltou você perceber, ou descobrir, que na verdade não sabia. 

(Raphaela Fagionato)

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