15 de setembro de 2012

Profundo

É que eu não sou só os brincos de pérolas coloridas que uso. Não sou só o riso fácil que tem prazer em cumprimenta o mundo. Nem sou só os textos publicados abertamente num blog.
Eu sou muito mais. Eu sou as noites sem dormir pela ansiedade incontrolável, eu sou as estrelas que assisto com mais interesse e fascinação do que a própria lua; sou a liberdade que os pássaros transmitem. Sou o choro silencioso de um dia não tão perfeito; sou o medo de decepcionar e a vontade de descobrir.
Eu não sou o grito visual das letras estampadas nas minhas roupas, mas sou a mensagem que elas tentam transmitir. Sou a insegurança e a vontade ridícula e mesquinha de ‘ter’ pessoas, sou o ciúme egoísta. Sou o perdão que não meço esforços para aceitar, nem pra ceder.
Sou o sorriso que disfarça uma dor louca pra se esconder, sou a vontade de tentar mais uma vez. Eu sou o desejo de ser protegida.
Eu sou mais do que os livros que leio, sou o conforto que minha alma procura quando começo ler um. Minhas roupas, meu cabelo, minhas vontades, meus sonhos, minhas unhas roídas, meu pavor incontrolável de sapos, minha paixão por sorvete. Tudo é muito mais profundo do que só parece. Porque mesmo já tida como livro aberto ou rosto que transparece sentimentos, há uma infinidade de coisas que eu não demonstro. 
Bem dentro de mim, há coisas escondidas. Bem lá no fundo, onde poucos tem paciência pra chegar, ou sensibilidade pra enxergar.

(Raphaela Fagionato)



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