7 de setembro de 2012

Amigo, amigo

É que ele tinha um sorriso tão amigável, tão sincero, e aconchegante, que quando ele sorria, brotava automaticamente uma vontade de descobrir o porquê daquele sorriso tão incrível. Era instigante o sorriso dele. Será que tinha assim, tantos motivos para sorrir? Ou será que sorria justamente para esconder uma dor? Me dava vontade de sorrir também.
É que ele tinha olhos cheios de graciosidade. Eles não eram lá tão especiais. Não tinham nem um tipo de cor super-rara. Mas eram, ainda assim, lindos por si só. E era essa a graça. Talvez o brilho, talvez o formato que eles pegavam quando ele sorria. Ficavam menorzinhos, meio puxados pros lados. Encantadores. Me instigava descobrir o que é que aqueles olhos já tinham visto. Por outro lado, quando não sorriam, observavam desatentos as coisas. Às vezes tomavam até um toque de melancolia. Mas uma coisa era certa: não eram curiosos, nem amedrontados, nem intimidadores. Observadores, isso sim.
Me dava vontade de conhece-lo sabe? E isso me assustava.
Escutar seus medos, ajudá-lo com seus problemas sem esperar nada em troca. Compartilhar segredos, confessar vontades e desejos.
É que eu observava seus braços e me dava muita vontade de entrelaçar neles. Não eram daqueles fortes, mas me pareciam resistentes e seguros. E isso bastava. Me dava vontade de abordá-lo, sem mais nem menos, sem perguntas, sem declarações. Abraça-lo como quem ansia a muito um desejo impossível. Me dava vontade de senti-lo. O toque, o calor. Sentir suas mãos em minhas costas, a respiração baixa colada nos meus ouvidos, os dedos deslizando pelos fios longos do meu cabelo. Sentir, só sentir. Presenciar tudo isso de olhos fechados.
Conversar por horas daqueles assuntos tão desnecessários e divertidos que fazem o tempo passar voando, que deixar ar de “do que que a gente tava falando mesmo?”. Uma conversa leve que não dá vontade de parar.
E me dava vontade de colocar sua cabeça no meu colo, falar sobre estrelas, contar historias, ouvir aquelas musicas clichês que só fazem sentido quando a gente tá apaixonado.
Pará tudo! Eu falando em ‘me apaixonar’? Deleta tudo, esquece o que eu falei! Pode deixar que eu mesma grito pro coração: para de ser tonto, quanta expectativa desnecessária! Amigo, amigo. 

(Raphaela Fagionato)



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